Neste mês a Proteste Associação de Consumidores conquistou no Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitário), três vitórias de greenwashing contra as empresas: Fiat, General Motors do Brasil e Ford. O greenwashing é um marketing fundamentado em informações enganosas com o intuito de aumentar as vendas de um produto ou serviço usando algum diferencial referente ao meio ambiente, com o foco na preocupação ambiental do consumidor.

No caso da Fiat o anúncio denunciado foi o “FIAT – PNEU SUPERVERDE”, que, segundo a publicidade divulgada, conta com tecnologia sustentável que garante o baixo consumo de combustível e alta durabilidade, contribuindo para a conservação do meio ambiente. No entanto não é possível definir um pneu como sendo “verde”, uma vez que, ainda que ele apresente os benefícios citados, existem outros fatores envolvidos na produção, uso e descarte que descaracterizam o título de “verde”, muito menos “super”, do produto.

O Conar decidiu que o anúncio não atendeu os princípios constantes no artigo 36 do conselho, que diz que as informações ambientais devem ser exatas e precisas, devem ter relação com os processos de produção e comercialização dos produtos e que é necessário que o benefício ambiental salientado seja significativo em termos de impacto total do produto e do serviço sobre o meio ambiente, em todo o seu ciclo de vida, ou seja, na sua produção, uso e descarte.

Sendo assim, recomendou-se que o anúncio seja alterado até que sejam atendidas as exigências do código de forma a refletir nos anúncios a responsabilidade do anunciante com o meio ambiente.

Já a General Motors do Brasil foi denunciada pelo anúncio do “CHEVROLET ECO”, que, segundo a empresa, “não apresenta nenhuma irregularidade, pois o Eco é de econômico e não de ecológico”. Porém, no anúncio do veículo também é citado uma melhoria nas emissões de poluentes. Ao associar a denominação Eco, lançada em modelos como o Onix 2017, a uma melhoria como essa, a General Motors do Brasil pode levar o consumidor ao entendimento de que o veículo anunciado tem um apelo de sustentabilidade.

Dessa forma, o conselho recomendou que fossem retiradas do anúncio todas as referências à melhoria das emissões de poluentes decorrentes do pacote Eco de alterações no motor e demais partes mecânicas dos modelos.

Por fim a Ford foi denunciada pelo anúncio do “FORD ECOBOOST”, pois insinua que o veículo, além de ter baixa emissão de CO2, possui máximo equilíbrio entre potência e economia. Tal informação não condiz com a realidade, uma vez que o automóvel Fusion apresenta classificação D segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem que mede a eficiência energética ou consumo de modelos semelhantes, assim os consumidores podem compará-los de "A" (mais eficiente) até "E" (menos eficiente). Além de tudo, ele também não possui o selo do Conpet, que destaca para o consumidor os equipamentos que atingem os graus máximos de eficiência energética. Com base nesses dados de baixa performance é impossível caracterizar o veículo como o descrito no anúncio.

O Conselho recomendou que as expressões “máximo” e “baixa”, presentes no anúncio, fossem alteradas.

César Tizo

César Tizo |