Considerando que ele não tem versões abaixo de R$ 120.000, os números de venda do Ford Fusion são mesmo de impressionar. Mesmo com todo o cenário atual, o sedã grande da Ford registra 3.198 unidades vendidas de janeiro a novembro deste ano. Se você acha pouco, saiba que a Ford colocou nas ruas mais unidades do Fusion nesse período do que o Mitsubishi Lancer (2.490), Hyundai Elantra (820) e até mesmo os concorrentes de luxo como Audi A4 (776).

Se já tem uma excelente participação no segmento, a Ford tratou de realizar pequenas melhorias na linha 2017 do modelo em especial para deixá-lo pronto para a concorrência do Mercedes-Benz Classe C e do BMW Série 3 nacional, bem como o “aspirante” Audi A3 Sedan produzido no Paraná, que é bem menor em porte, mas pode conquistar muita gente com o peso das quatro argolas na grade dianteira.

Não foi nada gritante, mas a Ford mexeu em pontos importante do Fusion. A dianteira ganhou uma leve atualização da grade, enquanto a parte de trás ostenta um novo visual para as laternas e uma barra cromada ligando as duas peças. Por dentro, o grande destaque do Fusion 2017 vai para a terceira geração da central multimídia Sync e o novo comando rotativo para o câmbio, algo que confere um toque de sofisticação para a cabine.

O bom motor 2.0 EcoBoost com turbo e injeção direta, ganhou 14 cv e agora entrega 248 cv de potência máxima. Outra notícia bem-vinda foi a inclusão do start-stop, que desliga o motor quando o carro encontra-se parado. Na versão mais cara do Fusion, a Titanium AWD como a testada aqui, o sedã entrega parciais de 8,2 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada, sempre com gasolina, o único combustível aceito pelo modelo.

Por R$ 158.700 você leva para casa o Fusion completão, com direito a tração integral, potência de V6 saindo de um moderno e eficiente 2.0, teto solar, assistente de estacionamento, piloto automático adaptativo, alerta de colisão com frenagem autônoma, apenas para citar alguns recursos. De série, mesmo na versão de entrada com motor 2.5 flex, o Fusion já conta com os controles de estabilidade e tração, 8 airbags, revestimento interno de couro, a já citada central multimídia Sync 3 com navegador, câmera de ré e 11 alto-falantes, dentre outros.

 
 
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
Ford Fusion 2017
Ford Fusion 2017
 
 

E é justamente esse custo-benefício que ajuda explicar muito do sucesso do Fusion no mercado. Para você ter uma ideia, o BMW Série 3 mais barato, na versão 320i Sport, parte de R$ 163.950 e não traz o mesmo nível de equipamentos do Ford. O motor 2.0 do sedã alemão também é calibrado para entregar 184 cv, apesar da tração traseira ainda exercer um forte apelo.

Tudo bem que um Ford não entrega o mesmo status do que estar a bordo de um Mercedes-Benz ou um BMW – apesar da fama de carrão que o Fusion ostenta por aqui – mas o acabamento do principal sedã da Ford por aqui não deixa a desejar. O couro e os plásticos usados no acabamento são de boa qualidade e não se nota falhas escandalosas de montagem, algo inadmissível em um carro nessa faixa de preço. O espaço interno do Fusion, em especial no banco traseiro, também é um pouco superior em relação ao Classe C ou Série 3. Além disso não há do que reclamar da largura da cabine, suficiente para acomodar com tranquilidade até 4 adultos.

Talvez o habitáculo de um Mercedes-Benz Classe C nacional possa ter um aspecto mais nobre, mas a central multimídia Sync 3 faz uma bela diferença a bordo do Fusion. Fácil de operar, em especial com os comandos de voz que permitem também programar o GPS ou controlar o ar-condicionado, o equipamento também conta com os softwares Apple CarPlay e Android Auto, tornando a integração com smartphones e a vida a bordo do Fusion algo fácil, prático e bem agradável.

Com bancos bem confortáveis e que se moldam muito bem ao corpo, o Fusion não esconde os traços norte-americanos de seu DNA, onde o conforto impera sobre a esportividade. Claro que o Fusion melhorou bem nesse aspecto, incluindo a parte dinânica, mas apenas nos primeiros quilômetros a bordo do sedã já é possível afirmar que se o seu foco é rodar com suavidade o Fusion é o seu carro. Se não entrega um comporamento mais arrojado, com um sedã alemão, a Ford ao menos é inteligente em não perder essa originalidade no temperamento do Fusion, uma vez que existe mercado para todos os gostos.

O bom volante com todos os comandos a mão poderia ser um pouco menor caso a ideia fosse entregar uma pegada mais esportiva ao Fusion, assim como as respostas da direção são neutras: nem tão rápidas como se espera em um BMW, mas não tão anestiadas como se você estivesse a bordo de um Ford Taurus dos anos 1990.

Com um time extremamente qualificado para o acerto de suspensão – o Focus está aí para demonstrar do que eles são capazes – o Fusion é um carro muito estável na estrada, amparado pela tranquilidade que a tração integral traz para o motorista em especial sob condições desfavoráveis como a pista molhada por exemplo. Na cidade, o conjunto elástico do Fusion absorve bem os buracos do chão, mesmo com suas rodas de liga leve aro 18”. O que às vezes chega a tornar-se chato no Fusion é o extremo cuidado com que você precisa manejá-lo nas valetas ou saídas de garagem para que o para-choque não raspe no piso. Talvez se a Ford conseguisse aumentar, por menor que fosse, a altura em relação ao solo do sedã na tropicalização já ajudaria em algumas situações.

Na estrada, à noite, foi interessante constatar o sistema de farol alto automático do Fusion em ação. Ao contrário de outras marcas, onde é necessário acionar o seletor no farol alto, no Fusion basta apenas deixar o comando na função “auto” que, em situações onde a iluminação é muito escassa, o assistente se encarrega de ligar automaticamente o facho alto e desligar na medida em que um carro logo a frente ou no sentido oposto se aproxima. Uma conveniência que ajuda muito em especial do ponto de vista da segurança.

Outro ponto forte do Fusion 2017 segue o motor 2.0 EcoBoost. Praticamente sem qualquer lag nas acelerações ou retomadas, o propulsor trabalha de forma impecável. Com o generoso torque de 38 kgmf, o modelo ganha velocidade rapidamente e, o que é mais importante, em qualquer faixa de rotações. O câmbio automático de 6 marchas executa um bom trabalho e oferece a opções de trocas sequenciais no volante.

Se você quer um carro muito confortável, bem equipado, seguro (ele conta com bolsas infláveis até nos cintos de segurança traseiros), com bom desempenho e pode gastar quase R$ 160.000 com isso, o Ford Fusion Titanium AWD é uma das melhores escolhas que você pode fazer por esse valor. Se a ideia não é gastar tanto, a nova versão SEL 2.0 EcoBoost de R$ 128.700 também é uma pedida interessante. Graças a esse conjunto equilibrado, o Ford Fusion consolida cada vez mais sua boa participação no segmento de sedãs grandes, um feito mais do que merecido.

Ficha técnica

Ford Fusion 2017 Titanium AWD 2.0 16V gasolina automático integral 4p
Preço R$ 158.700 (04/2017)
Categoria Sedã grande
Vendas em 2017 1.267 unidades
Motor 4 cilindros, 1999 cm³
Potência 248 cv a 5500 rpm (gasolina)
Torque 38 kgfm a 3000 rpm
Dimensões Comprimento 4,871 m, largura 1,911 m, altura 1,484 m, entreeixos 2,85 m
Peso em ordem de marcha 1689 kg
Tanque de combustível 66 litros
Porta-malas 453 litros
Veja ficha completa

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo |