A grife “SUV” hoje em dia virou sinônimo de carro desejado, mas pouco tem a ver com o seu significado original. Sport Uitlity Vehicle (ou utilitário esportivo) foi uma maneira de classificar veículos mais robustos e com tração 4x4 que tinham uma segunda função de lazer.

A imagem relacionada à aventura acabou contaminando os consumidores mundo afora e virou uma oportunidade de ouro para as fabricantes conquistarem esse público. No fundo, o que maioria deles queria, no entanto, era apenas se imaginar a bordo desses veículos, mas buscando na prática um carro alto, espaçoso e fácil de dirigir. O resultado é visto nas ruas: a multiplicação dos “SUVs urbanos”, automóveis de concepção convencional, mas que abusam dos traços “off-road” mesmo que a maioria deles não tenha nenhuma aptidão para enfrentar a lama.

É nesse cenário que voltar a ter contato com um autêntico veículo off-road causa uma estranheza inicial e logo depois, diversão. Toda essa longa introdução para falar do Jimny, o pequeno jipe da Suzuki que é vendido no Brasil há vários anos com direito a um público fiel e sem nenhum concorrente direto em porte ou preço.

Volta ao passado

O Jimny é uma antítese clara dos SUVs modernos: traz uma carroceria sobre chassi, motor longitudinal, duas portas, mecânica e painel já datados além, é claro, da tração 4x4 com opção de reduzida. Essa equação poderia soar como antiquada, mas o Suzuki se revela um veículo divertido justamente por sair do lugar comum. No primeiro contato, a sensação é de estar a bordo de uma picape média mais antiga em que a direção e o câmbio são lentos e um tanto cansativos. O painel, embora tenha recebido atualizações, reforça essa impressão: não há central multimídia nem comandos satélites no volante, para citar dois exemplos.

O Jimny é quase um subcompacto em tamanho. Ele leva de fato quatro pessoas sendo que no banco traseiro vão dois adultos de baixa estatura ou crianças. O porta-malas tem menos da metade da capacidade de um hatch compacto, ou seja, meros 113 litros. Pessoas mais altas também sofrem nos bancos dianteiros cujo ajuste longitudinal encontra seu limite rapidamente.

O estilo, se não traz elementos modernos, já mostra de cara que o Jimny tem mesmo é vontade de cair na lama com suas rodas aro 15 que parecem maiores perto do porte do modelo. No capô vai um motor 1.3 litro de 85 cv movido apenas a gasolina, já a transmissão é manual de cinco marchas enquanto o acionamento da tração é elétrico. Um pacote que cumpre seu papel com pouca folga, é verdade.

 
 
Suzuki Jimny 2018
 
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Suzuki Jimny 2018
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“Operando” o Jimny

O estranhamento inicial é superado após rodar algumas dezenas de quilômetros. A direção hidráulica utiliza um sistema comum em utilitários antigos e por isso deixa transparecer uma bela folga e lentidão, mas não demora a você se acostumar com isso.
A mesma situação ocorre com a alavanca de câmbio. Os engates são curtos a ponto de duvidar se o carro estava em marcha neutra ou terceira. Algumas centenas de trocas depois e você nem se lembra mais disso.

É aí que a ficha cai: o Jimny não é para ser dirigido e sim “operado”. Ele pede isso do motorista, alguém que veja prazer em ter um pouco de trabalho braçal em conduzi-lo. A grande altura e o jeito um tanto valente do jipe acabam te conquistando e evocando um espírito que você não encontra nos aventureiros, o de acreditar mesmo que é capaz de subir uma rampa enlameada com ele.

Bem na cidade

Andei com o Jimny na versão 4Sport (a com visual mais bacana) em várias situações, sozinho e com minha família (duas crianças pequenas). Estradas em que é preciso andar acima de 100 km/h não são o seu ambiente, mas vale o esforço para chegar em lugares onde suas virtudes se mostram mais claras. Fizemos algumas “brincadeiras” na terra, ambiente em que o Suzuki se sente à vontade, mas foi em território urbano, veja só, que ele se revelou uma surpresa.

As pequenas dimensões, equivalentes às de um Fiat Mobi (exceto na altura, claro) tornam o Jimny um veículo fácil de andar no trânsito. Ele não é gastão (fez em média 10 km/l) e tem um torque razoável para retomadas.

Atrás, caso você caiba, os bancos têm ajuste no encosto e apoios de braços generosos nas laterais. O acesso ao banco traseiro também não chega a ser muito difícil, mas do lado do motorista se perdem os ajustes ao rebatê-lo.

Talvez o maior ponto negativo do Jimny seja o porta-malas mesmo. Até uma compra de supermercado fizemos e foi um auê para achar espaço para acomodá-la. A porta do bagageiro, de abertura lateral, tem dois inconvenientes. O primeiro é abrir do lado esquerdo, herança “japonesa” que te faz ir para o meio da rua. A outra é justamente o fato de correr na lateral o que exige um certo espaço para o veículo que estiver atrás.

Preço de hatch compacto premium

Pela ausência de concorrentes diretos (o Troller T4, por exemplo, é bem mais caro que ele), o Jimny tem mantido uma clientela fiel desde 2009 quando a Suzuki retornou ao Brasil. Em 2014 ocorreu o pico de vendas com 2,4 mil unidades, mas mesmo neste ano o jipinho emplacou quase mil exemplares até julho.

Um claro sinal que suas características únicas têm encontrado eco num mercado dominado pelos (eles de novo) “aventureiros de supermercado”. Aliás, eis aí um ponto em que eles “superam” o Jimny.

 

 

Ficha técnica

Suzuki Jimny 2018 4Sport 1.3 16V gasolina manual 4x4 2p
Preço R$ 73.290 (08/2017)
Categoria Jipe
Vendas em 2017 958 unidades
Motor 4 cilindros, 1328 cm³
Potência 85 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque 11,2 kgfm a 4100 rpm
Dimensões Comprimento 3,645 m, largura 1,6 m, altura 1,705 m, entreeixos 2,25 m
Peso em ordem de marcha 1090 kg
Tanque de combustível 40 litros
Porta-malas 113 litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |

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