Não é de hoje que a Peugeot promete acabar com a fama de marca que não cuida do cliente com atenção e que produz carros frágeis e com baixo valor de revenda, mas agora a montadora garante que essa experiência ruim é passado. Quem diz isso é Ana Theresa Borsari, diretora geral da Peugeot no Brasil, que assumiu o cargo há pouco mais de 20 meses. “Não concordo com essas afirmações que as marcas francesas são ruins. Não é correto generalizar a qualidade de um carro por conta da sua origem”, repetiu durante o lançamento do novo Peugeot 3008, utilitário esportivo de porte médio que representa o que há de mais avançado na fabricante.

É com ele que Borsari quer provar que esse tempo de dores de cabeça acabou. Além de trazer um estilo inconfundível e atraente, o SUV é uma prova que a Peugeot quer tratar o cliente brasileiro com o mesmo interesse que tem no mercado europeu, onde por sinal, o 3008 faz sucesso.

Cativante

O AUTOO já havia tido uma boa impressão do 3008 durante o Salão do Automóvel, em novembro do ano passado. E essa sensação se repetiu agora que pudemos conhecê-lo melhor e dirigi-lo. O modelo é mais uma prova que a Peugeot encontrou um caminho promissor no design, sem o mesmo impacto que na época do estilo ‘felino’, mas com tamanha personalidade e capricho que é impossível não se encantar com o carro.

À luz do dia, o 3008 é ainda mais belo, como pudemos comprovar no início do test-drive. O veículo mescla muitos detalhes cromados mas sem parecer exagerados ou fora de lugar. Traz uma nova grade com um inconfundível conjunto ‘fragmentado’, o tal ‘fractal’ que guia esse novo estilo.

Agora o leão está à frente dessa grade e sua frente em cunha reforça a mensagem que o tempo dos crossovers acabou, o 3008 é um SUV (ao menos no design). A lateral exibe frisos e rodas aro 19, mas de forma equilibrada com a carroceria, e na traseria a bela solução das lanternas que formam um conjunto contínuo com uma faixa escurecida – difícil lembrar de algo semelhante no mercado.

Teclado de piano

Se já cativa pelo exterior, o 3008 causa empolgação mesmo ao entrarmos nele. É nítida a preocupação com qualidade e esmero. O acabamento dos paineis utiliza couro, superfícies emborrachadas e um tecido de fio grosso que aumenta a sensação de conforto. Por falar nele, a Peugeot oferece um sistema de massagem com oito pontos ativos e várias programações – tanto para o motorista quanto para o passageiro do banco da frente.

Diante do painel fica fácil entender porque a Peugeot tanto falou dele. Se o primeiro i-Cockpit já chamava a atenção por sua solução de painel de instrumentos elevado e o volante ovalado, no 3008 a segunda geração do conjunto aprofundou esse descolamento da arquitetura tradicional dos carros.
O volante agora tem o topo achatado e apenas duas hastes e cluster (painel de instrumentos) é totalmente digital, com uma tela LCD de 12 polegadas que pode personalizada pelo motorista.

Todos os gráficos são claros e bem intuitivos com exceção do conta-giros cujo ponteiro virtual se move contra o relógio. É um situação estranha, reconheço, mas que pode ser absorvida. No console central, a ampla central multimídia de 8 polegadas se destaca, mas é abaixo dela que vem o toque diferenciado, uma série de botões com inspiração nas teclas de piano. Um elemento belíssimo, mas que deve um pouco em praticidade. É nele que você comanda a central, mudando de função conforme a tecla do ‘piano’.

A solução seria perfeita se também fosse possível navegar na tela touchscreen, mas a Peugeot pecou na interface, um tanto confusa em algumas funções. Ao menos o sistema se conecta com qualquer smartphone, Carplay, Android Auto e Mirror Link, sendo que nesses dois últimos é possível utilizar um aplicativo de navegação – o 3008 não traz esse recurso nativo.

Dupla conhecida

Com sistema keyless, o SUV abre suas portas num mero toque na maçaneta. A partida é por botão e logo vimos a “coreografia” das telas de LCD iluminando o painel. No centro do console está a bela alavanca de acionamento eletrônico do câmbio automático de seis marchas.

Libera-se o freio de estacionamento também elétrico, aperta-se um botão lateral para liberar o acionamento da posição Drive e o 3008 começa a se movimentar. O motor e o câmbio são velhos conhecidos, o THP 1.6 de 165 cv a gasolina, um projeto compartilhado com a BMW e que hoje é o melhor conjunto oferecido na marca.

A direção, com assistência elétrica, é precisa e leve o que é mais nítido graças ao diâmetro pequeno. O 3008 é um carro de cintura alta, ou seja, portas que se elevam acima da linha dos ombros, mas nem por isso falta visibilidade. Apesar disso, o volumoso centro do volante acaba escondendo algumas informações e recursos como a comando satélite do controle de cruzeiro, peça que sobrevive há vários anos nesse mar de novidades tecnológicas.

 
 
Peugeot 3008 2018
 
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Peugeot 3008 2018
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O 3008 é um ‘SUV urbano’: a Peugeot não se preocupou em equipá-lo com recursos off-road ou mesmo uma tração integral nessa versão. Mas ele traz alguns auxílios como o de partida em rampa e controle de tração. As imensas rodas aro 19 de perfil 50 combinam com a estrada, onde o perfil mais baixo do carro (ele é menos alto que seu antecessor) combina com a tocada mais esportiva da suspensão bastante rígida. Por falar nela, um pecado da PSA, holding que controla a Peugeot. O conjunto traseiro é por eixo de torção, ou seja, não é uma suspensão independente , algo que não combina com um carro de R$ 136 mil.

As respostas do conjunto mecânico são boas e imediatas, mas mais voltadas para uma tocada confortável e com alguma agilidade. Para aproveitar melhor os 165 cv é preciso acionar a tecla ‘Sport’ atrás do câmbio. As respostas passam a ser mais rápidas e o câmbio troca de marchas em regimes mais altos. O 3008 só estranhou o piso de concreto maltratado da estrada usada no test-drive. Nas curvas ele quicava com frequência à medida que passava por trechos ondulados.

Cuidado total

Como então definir o novo 3008? Basicamente, é um modelo com pinta de SUV, mas com um refinamento pouco comum. Ele vai na contramão dos modelos americanos e japoneses, mais espaçosos (embora tenha um bom porta-malas com 520 litros), e investe num perfil mais baixo e esportivo, além do estilo incomum.

Há caprichos e badulaques típicos dos carros da marca, mas também uma preocupação nítida em oferecer uma direção divertida. O preço de lançamento, de R$ 135.990 em versão única, parece competitivo num segmento que geralmente começa acima disso ou que oferece versões mais ‘peladas’.

Por essa razão, a meta de vender 250 unidades por mês é bastante arrojada já que ele é feito na França e paga muitos impostos para chegar aqui. Exceto pelo fenômeno Compass, que ocupa um espaço um pouco abaixo do Peugeot, os concorrentes vendem pouco por conta da invasão de SUVs compactos que tomaram parte desse mercado de cima.

O 3008 convence pelo pacote técnico e pelo carisma do seu estilo, mas a pergunta é: vale confiar nas palavras da diretora geral da Peugeot no Brasil? Ana certamente me responderia que sim, que agora a marca segue religiosamente o plano ‘Total Care’, uma lista de compromissos com o pós-venda que incluem recompra garantida, transparência nos preços, qualidade nas revisões e até carro reserva em caso de consertos com mais de quatro dias de duração.

Segundo a executiva, o nível de satisfação dos clientes da Peugeot saltou para quase 90% de um ano para cá. Não é uma tarefa reconquistar a confiança do consumidor, mas o 3008 mostra que a Peugeot está efetivamente preocupada em agradar, seja no primeiro contato ou depois do casamento.

Ficha técnica

Peugeot 3008 2018 Griffe THP 1.6 16V gasolina automático 4p
Preço R$ 139.990 (09/2017)
Categoria SUV médio
Vendas em 2017 436 unidades
Motor 4 cilindros, 1598 cm³
Potência 165 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque 24,5 kgfm a 1400 rpm
Dimensões Comprimento 4,447 m, largura 1,906 m, altura 1,625 m, entreeixos 2,675 m
Peso em ordem de marcha 1567 kg
Tanque de combustível 53 litros
Porta-malas 520 litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |