Quando a Chevrolet lançou o Onix no final de 2012 o que se imaginava é que o hatch assumiria a condição de carro mais vendido da marca e que o Celta, então detentor dessa posição, seguiria como modelo de entrada, mas na prática o que se viu foi uma saída rápida do mercado deste último.

De mais de 150 mil unidades emplacadas em 2010, o Celta teve menos de 18 mil cinco anos depois quando foi aposentado, um sinal claro que mesmo mais barato que o Onix o velho compacto já não chamava a atenção de ninguém.

Esse tombo tem a ver com uma mudança notada no mercado brasileiro nos últimos anos, em que o cliente passou a buscar mais itens de série, espaço interno melhor e um design que remete a modelos maiores. É o que explica o sucesso de vendas não só do Onix como também do HB20, da Hyundai, para citar os dois carros mais vendidos no Brasil atualmente.

Enquanto a GM fazia essa troca de bastão inesperada, Volkswagen e Fiat preferiram manter o “mesmo time” até com certa razão: o Gol era de longe o carro mais vendido em 2012 com quase 300 mil unidades emplacadas. Já a dupla Uno e Palio acumulou mais de 440 mil veículos vendidos naquele mesmo ano da chegada do Onix e do HB20.

Tchau Mille e Gol G4

Era o ápice de uma trajetória que mudaria a partir do ano seguinte. Com a chegada do programa Inovar Auto, que proibiu a entrada de modelos importados com preços camaradas, mas que exigiu níveis de segurança mais altos, tanto a Volks quanto a Fiat perderam seus “pés-de-boi”, o Uno Mille e o Gol G4, veículos antigos e que não tinham condições técnicas ou de custo para receber ABS e airbags de série.

A Fiat ainda conseguiu segurar parte da demanda graças ao Palio Fire, projeto que contemplava essas possibilidades e que seguiu em linha como um dos poucos carros pelados do mercado, mas as alterações na preferência do público acabaram tornando essa sobrevida dolorosa.

Para se ter uma ideia, em 2015 o Gol havia caído para apenas 82 mil exemplares emplacados e o Palio, pouco mais de 120 mil unidades. No ano passado, ambos suaram para vender 60 mil carros cada, claro que isso influenciado também pela crise econômica.

Raio-X da fábrica
Autoo

Novos nomes

Todo esse processo, em conjunto com o sucesso do Onix, acabou motivando as duas montadoras a rever conceitos até então intocados. Para rivalizar com o modelo da Chevrolet não bastava recriar o Gol ou o Palio, modelos que lideraram o mercado por vários anos. Era preciso algo novo, afinal a imagem desses dois carros impedia que eles pudessem capitalizar toda uma série de inovações tanto de estilo quanto de equipamentos que estavam sendo concebidas.

Por isso hoje estamos às vésperas de conhecer o Argo e o novo Polo. Os próximos lançamentos da Fiat e da Volkswagen são um recomeço no segmento de compactos para ambas as marcas. Plataformas renovadas e propostas inéditas para tentar repetir a transição (tardia nesse caso) que a rival Chevrolet conseguiu com o Onix.

Quase tudo novo

O primeiro teste será lançado no dia 30 de maio. É quando a Fiat apresentará o Argo à imprensa especializada. A montadora resolveu apostar numa nova marca sem relação com Palio ou Uno – ou mesmo nomes conhecidos no exterior. O Argo, embora tenha traços que remetam a outros carros novos da marca, é um projeto do zero que privilegia um melhor espaço interno, o design esportivo e, sobretudo, um interior cativante e bem equipado. Praticamente um “Onix” da Fiat.

E dizemos Onix porque na parte mecânica a marca italiana também fez como a GM: continuará usando motores já fabricados e que ganharam apenas melhoramentos. O mesmo pode-se dizer das transmissões – manual, automatizada e automática. A boa nova é esta última, uma transmissão de seis marchas disponível nas versões mais equipadas e com motor 1.8.

Ou seja, o Argo quer aquilo que a picape Toro conseguiu, ser um Fiat que não tem a ver com os antigos carros da marca, mais famosos pela durabilidade e preço em conta do que com status propriamente dito.

Plataforma global

Assim como a Fiat, a Volkswagen também resolveu deixar de lado seu nome mais famoso, o ‘Gol’. Agora a marca alemã reedita uma estratégia adotada no início dos anos 2000 e que na época foi um tanto quanto precoce, a de lançar um carro global no Brasil.

O primeiro Polo brasileiro, lançado em 2001, era um carro moderno e muito equipado. Tanto assim que espantou a clientela de certa forma. Era um belo modelo, mas custava quase o mesmo do Golf e oferecia um espaço interno modesto. A verdade é que o público não valorizava suas várias virtudes, algo que hoje mudou.

Por essa razão, o Polo voltará em nova geração em meados do segundo semestre. E com uma enorme vantagem, usar a plataforma MQB A0, que é tão versátil quanto a original, mas mais barata de produzir. É essa possibilidade de produção em escala que pode tornar o novo Polo viável no Brasil.

O visual, se não surpreende, é coerente com sua proposta de carro com estilo esportivo e generoso espaço interno. Também deverá ter várias tecnologias embarcadas como assistente de estacionamento, painel digital e central multimídia de ponta, entre outros. Na parte mecânica, é certo que terá o motor 1.0 de 3 cilindros, tanto aspirado quanto turbo, além de transmissão manual e automática talvez de dupla embreagem até – nada de I-Motion, que não atrai essa clientela.

 
 
Volkswagen Polo 2018 flagrado sem nenhum disfarce
 
Volkswagen Polo 2018 flagrado sem nenhum disfarce
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Fiat Argo 2018
 
Fiat Argo 2018
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Fiat Argo 2018
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Fiat Argo 2018
 
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Polo e Argo: novos nomes da Volkswagen e Fiat para esquecer Gol e Palio
 
Polo e Argo: novos nomes da Volkswagen e Fiat para esquecer Gol e Palio
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Mais margem, menos volume

Se a Fiat ataca com um projeto feito sob medida para o Brasil, assim como a Chevrolet e a Hyundai, a Volkswagen aposta num carro global, que terá produção em várias fábricas mundo afora. Ambas as estratégias têm méritos, mas no caso da VW isso vai depender da adaptação do Polo para o gosto do brasileiro – é nessa hora que muitas marcas erram como ocorreu com a Toyota e o Etios no início da sua carreira.

Uma coisa é certa: se não vão mais repetir os volumes do passado, Volks e Fiat ao menos poderão ter uma margem de lucro melhor com o Polo e o Argo, caso consigam transmitir a mensagem ao público de que os dois valem o que custam e que não têm nada a ver com o Gol e o Palio. Quanto a esses dois, devem permanecer em linha, porém, numa posição secundária e que, se a história se repetir, acabará como no caso do Celta, com uma discreta saída do mercado.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |