Veículo encardido essa picape média. Ela não é como um automóvel, onde a paixão manda no coração do cliente, mas também não é uma compra racional daquelas feitas numa planilha de excel. Quer dizer, é um pouco dos dois e seus potenciais clientes são tão variados e com prioridades tão diferentes que emplacar nesse segmento é quase uma missão impossível para estreantes.

No caso da Nissan, longe disso, afinal a marca japonesa tem sim tradição de produzir picapes há nove décadas, porém, nunca houve uma Frontier capaz de encarar as duas picapes mais vendidas do mercado há anos, a S10 e a Hilux.

Agora, com a nova geração, importada ‘às pressas’ do México enquanto a versão argentina não chega (previsão para o segundo semestre de 2018), a Nissan enfim tem uma picape que pode encarar suas rivais em vários cenários.

“Percorremos vários estados para entender o que os clientes de picapes buscavam e quais problemas tinham com os atuais modelos”, explica Alan Ponce, gerente de produto da Frontier. Segundo ele, em cada aplicação em que a picape é usada exige uma característica diferente: “o minério de ferro, por exemplo, causa desgaste no motor e pode comprometer a correia dentada caso ele use esse tipo de mecanismo”, completa.

Foco no segmento que mais vende

Com cerca de 100 mil unidades vendidas por ano, o segmento de picapes está concentrado nas mãos da Toyota e da Chevrolet, que juntas reúnem mais de 60% das vendas. Desse volume, 70% é de modelos com motor diesel e a maior parte, cabine dupla com câmbio automático.

Foi por essa razão que a Nissan optou por importar do México a versão LE 4x4 diesel automática. Bem equipada, mas ainda assim acessível, ela custa no lançamento R$ 166.700, valor abaixo da média na categoria.

Nesses primeiros meses de mercado, a Nissan vai entender melhor como ela se sairá perante suas concorrentes para então fazer novos pedidos para a fábrica mexicana. Mas o que AUTOO percebeu é que a Frontier nunca esteve tão preparada para aumentar sua participação.

A nova geração é uma evolução significativa em relação à anterior, que tinha design um tanto quanto ‘exótico’, com altura mais baixa que as rivais e um formato mais retangular. A atual, aliás, se parece muito com outras picapes atuais, o que significa privilegiar o espaço interno e as linhas mais sofisticadas.

Mas ela ainda guarda alguma semelhança com sua antecessora, como no formato da porta traseira, com um corte diagonal, ou no ressalto da tampa da caçamba, que repete o ‘V’ estilizado da geração que está saindo de cena.

A nova Frontier adota várias soluções vindas dos automóveis da marca como a chave keyless, os faróis de LEDs, o ar-condicionado dual zone e a central multimídia com navegador. Também há uma tela LCD no centro do painel de instrumentos que concentra várias informações sobre o veículo.

A parte eletrônica, como não poderia ser diferente, a Frontier adota várias tecnologias conhecidas no mercado como o controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa e de descida, que controla automaticamente a velocidade da picape em trechos íngremes.

Suspensão surpreendente

No conjunto mecânico, a Nissan também seguiu a receita correta. O motor diesel é biturbo, com um deles atuando em alta pressão e outro em baixa. Isso significa ter em mãos um torque alto em qualquer rotação, além de um consumo mais comedido. São 190 cv a 3.750 rpm e 45,9 kgfm de torque a 2.500 rpm. O consumo é de 8,9 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada.

A transmissão automática tem sete velocidades e pode ser acionada manualmente na alavanca. Já a tração 4x4 tem acionamento por um botão giratório e inclui também o bloqueio eletrônico do diferencial traseiro.

A novidade, no entanto, está na suspensão traseira. A Nissan aposentou a antiquada suspensão por feixes de mola, um recurso tradicional pela resistência e capacidade, mas que torna a picape desconfortável, com o famoso pula-pula. Em vez disso, uma solução curiosa: um mistura de suspensão multilink (multibraços) com eixo rígido. O resultado é que o comportamento da Frontier é mais estável e previsível, mas também capaz de suportar cargas pesadas.

 
 
Nissan Frontier 2017
 
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Direção agradável

Nossa experiência inicial com a nova Frontier revelou que a Nissan soube acertá-la para ser agradável no trânsito e na estrada. O motor e o câmbio funcionam em sintonia e a suspensão é bastante confortável, embora ainda tenhamos aquelas situações típicas de picape ao passar em valetas ou pisos mais ondulados.

Peca apenas a direção hidráulica que é pesada e lenta. Poderia haver uma solução mais ágil, apesar do perfil de uso da picape. A experiência em trechos off-road, com passagens por pedras, ladeiras e inclinações confirma que a Frontier não perdeu a bravura na terra.

Em suma, ela não deve nada aos rivais e até é superior a alguns deles em certos pontos. O interior está mais bem acabado, mas poderia ter recebido alguns elementos mais modernos como o volante já datado e os painéis. No banco traseiro, houve evolução, porém, ainda se viaja com os joelhos muito recolhidos. Quanto à capacidade de carga, de 1.050 kg, ela é levemente maior que a da Hilux em até 50 kg, dependendo da versão do modelo da Toyota

Convencimento na base de suor

Como dissemos no início do texto, no segmento de picapes médias não basta ter um produto impecável, é preciso convencer uma enorme variedade de clientes de que seu veículo vale a pena. Não é o design ou o custo de reparação (em que a Frontier seria a mais barata, segundo a Nissan) que uma picape vai se impor. É preciso sim gastar muita sola de sapato para mostrar que vale a pena ter uma Frontier.

Não há dúvida que esta geração é a mais bem preparada já lançada no país, mas é bom lembrar que a Nissan só terá um ‘time completo’ (mais versões) no ano que vem. O problema é que até lá novos concorrentes estarão por aí, incluindo a Alaskan, da Renault, e a Classe X, da Mercedes, ironicamente nascidas sobre a mesma base da nova Frontier.

Ficha técnica

Nissan Frontier 2017 LE 2.3 16V diesel automático 4x4 4p
Preço R$ 166.700 (04/2017)
Categoria Picape média
Vendas em 2017 1.259 unidades
Motor 4 cilindros, 2298 cm³
Potência 190 cv a 3750 rpm (diesel)
Torque 45,9 kgfm a 2500 rpm
Dimensões Comprimento 5,25 m, largura 1,85 m, altura 1,855 m, entreeixos 3,15 m
Peso em ordem de marcha 1985 kg
Tanque de combustível 80 litros
Porta-malas litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |