As vendas do Renegade no Brasil desde seu lançamento são impressionantes. O modelo de entrada da Jeep já emplacou mais de 90 mil unidades desde sua estreia em abril de 2015. Ele só não é hoje o SUV mais vendido do país porque o Honda HR-V chegou um pouco antes e se mantém na ponta, muito em razão da enorme aceitação no estado de São Paulo.

Mas não é que o Compass, o irmão maior e mais novo do Renegade (e também produzido em Pernambuco), tem causado ainda mais espanto pela atração que tem causado no público brasileiro? O utilitário esportivo de visual mais tradicional e voltado para um cliente mais familiar surpreende por manter-se num patamar de vendas acima de 3 mil carros. Em janeiro ele já havia superado 3,1 mil unidades emplacadas, suficientes para colocá-lo à frente do Renegade.

Se tudo der certo, o Compass estreia em 2017 entre os 15 veículos mais vendidos do Brasil. É um feito e tanto para um modelo que custa a partir de R$ 102 mil. Isso mesmo, seis dígitos na versão de entrada – o mais equipado custa R$ 152 mil.

Nessa turma apenas o Corolla é um veículo de porte médio e que tem versões acima de R$ 100 mil – outros modelos cruzam essa barreira, mas são compactos. Ou seja, o Compass tem dominado a preferência de um cliente que pode pagar um alto valor por seu veículo. E o que não falta nessa faixa de preço é opção de compra.

 
 
Jeep Compass 2006
 
Jeep Compass 2006, o primeiro lançado: visual distante da tradição off-road da marca
Jeep Compass 2006
Jeep Compass 2011
 
O Compass 2011, primeiro que desembarcou no Brasil: vendas em cinco anos equivalem a um mês do novo Compass
Jeep Compass 2011
Jeep Compass 2017
 
Jeep Compass 2017
Jeep Compass 2017
 
 

Modelo nascido sem brilho

Pouca gente deve acreditar, mas o Compass já está na segunda geração. A primeira, nascida em 2006, é daqueles projetos tão infelizes que parecia que o nome já estava morto e enterrado. Mas a FCA decidiu bancar o nome na atual geração, completamente diferente do seu antecessor, que usava uma plataforma derivada de modelos da Mercedes-Benz e Mitsubishi dos tempos em que a alemã Daimler era dona da Chrysler.

O primeiro Compass exibia faróis redondos e a grade de sete frisos, mas tinha pouco a ver com a tradição off-road da marca. Em 2011, a Jeep promoveu uma reestilização que o aproximou do visual do Grand Cherokee, mas nem assim ele emplacou.

Foi esse Compass que a Jeep passou a vender no Brasil em 2012, mas sem sucesso também. Em cinco anos no mercado, foram emplacadas pouco mais de 3 mil unidades da primeira geração, algo que o novo Compass, como se viu, consegue fazer em apenas um mês.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

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