Eles chegaram em 2009, mas até agora não convenceram. Os carros chineses prometeram ser uma ameaça aos modelos fabricados no Brasil e que seria questão de tempo para que não só fossem mais baratos mas tão bons quanto os melhores veículos do mercado.

A realidade, no entanto, foi dura com quem bancou sua vinda para o Brasil. Marcas como Changan, Effa, Geely, Hafei e Jinbei naufragaram com o dólar alto e as restrições à importação. E as mais estruturadas como Chery, Lifan e JAC passaram a vender algumas centenas de carros por mês na esperança que a situação mude para melhor.

Embora parte do problema seja externo, não há dúvida que elas têm “culpa no cartório”. A falta de qualidade de alguns veículos, somados a um pós-venda muito ruim minaram a pouca confiança que conseguiram nessa década no país. E mesmo a vantagem do preço acabou neutralizada graças ao Inovar Auto. Isso somado ao dólar caro acabou com qualquer margem que elas possuíam. No entanto, há uma boa notícia: aos poucos seus carros estão evoluindo e chegando a um patamar de igualdade com alguns concorrentes locais.

O JAC T5, por exemplo, é um deles. O SUV compacto foi lançado no Brasil no começo de 2016 e mostrou importantes lições aprendidas. O design bem resolvido (embora ainda bebendo em fontes alheias) somado a um bom conjunto mecânico e uma lista de equipamentos respeitável logo fez dele o modelo mais vendido da marca. Mas faltava algo, o câmbio automático.

E ele chegou no final do ano passado, enfim. Com isso, a JAC lançou o primeiro carro chinês com transmissão automática, um equipamento hoje muito valorizado pelo brasileiro, sobretudo nessa faixa do mercado.

Transmissão européia

A JAC foi inteligente. Decidiu não ‘inventar’ um câmbio próprio, algo que muitas marcas mais experientes costumam evitar. Em vez disso, buscou uma transmissão belga do tipo CVT, com marchas continuamente variáveis, ou seja, são infinitas possibilidades de ajuste, o que beneficia o consumo, por exemplo.

O resultado na prática agradou. O câmbio CVT se entendeu muito bem com o motor 1.5 VVT de 127 cv com etanol. Não é uma dupla que sobra em campo, mas entrega desempenho sob medida sobretudo na cidade – partidas e retomadas são progressivas e relativamente rápidas – e há a possibilidade de torná-lo mais ágil com uma programação mais ‘esportiva’. Ele faz de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos, de acordo com a JAC.

O consumo também está de acordo com o que se espera de um veículo com 1.200 kg. A versão manual faz 6,8 km/l com etanol na cidade e 8,2 km/l na estrada segundo o Inmetro. Nós conseguimos rodar 7,7 km/l com etanol na versão CVT na mesma situação (os dados oficiais ainda não foram divulgados pelo órgão), o que mostra que o T5 automático não perdeu eficiência com a nova transmissão.

Mérito disso é justamente o câmbio CVT. Com seis marchas virtuais e opção de trocas sequenciais na alavanca, ele tem um funcionamento suave e inteligente. Era o que faltava para o T5 cair no gosto.

Como dissemos, o conjunto do T5 é bastante agradável de dirigir. A posição é natural, embora falte um ajuste de profundidade ao volante, mas a empunhadura é boa. A visibilidade também é grande em todas as direções e o espelho retrovisor, generoso.

Central multimídia pede para sair

Ponto fraco dos chineses, o acabamento do T5 tem partes bem resolvidas e outras nem tanto como o encaixe do console central. Mas alguns equipamentos compensam isso como o ar-condicionado digital e o controle de cruzeiro, por exemplo. Os bancos de couro têm costuras em vermelho e são bem confortáveis.

O T5 tem ainda a seu favor o bom espaço interno, sobretudo no banco traseiro. O porta-malas, cm 600 litros, já diz tudo: o SUV dá conta do recado com sobras.

 
 
JAC T5 2017
 
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Seu eu mexeria em algo no T5? Poucas coisas, entre elas reduzir um pouco a quantidade de cromados (o carro já é atraente sem isso), instalar rodas aro 17 (ele parece menor com as rodas aro 16) e substituir o software da central multimídia. O sistema atual é ruim de chorar, o que é uma pena porque seu tamanho e funcionalidades estão dentro do esperado. O que mata é a interface datada.

O T5 também vem equipado com controle de estabilidade e tração, mas a ajudinha na saída em rampa é um tanto exagerada: o SUV segura literalmente mais do que é necessário quando você começa a acelerar.

Muito perto da concorrência

Sim, o T5 CVT é o SUV compacto mais barato do mercado no momento. Saía por R$ 71,5 mil em fevereiro de 2017, R$ 5 mil a mais que a versão manual. O problema é que há concorrentes com pacote semelhante não muito longe disso. O Peugeot 2008 1.6 automático custava R$ 76,9 mil e o EcoSport SE 1.6, R$ 78,8 mil (preço antes da reestilização). O principal adversário, no entanto, é o Tracker LT que agora possui motor turbo com injeção direta e custa R$ 80 mil.

Como se vê, a diferença não chega a ser tão grande a ponto de eliminar qualquer dúvida. Quem sabe quando virar nacional (a JAC segue afirmando que montará o modelo no Brasil em breve) o T5 possa ser vendido por um preço realmente imbatível. O que evolua tecnicamente a ponto de ser melhor que os rivais. Agora não chega a ser uma tarefa tão complicada como há alguns anos.

Ficha técnica

JAC T5 2017 1.5 16V flex automático 4p
Preço R$ 73.490 (08/2017)
Categoria SUV compacto
Vendas em 2017 1.682 unidades
Motor 4 cilindros, 1499 cm³
Potência 125 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque 15,5 kgfm a 4000 rpm
Dimensões Comprimento 4,325 m, largura 1,765 m, altura 1,625 m, entreeixos 2,56 m
Peso em ordem de marcha 1210 kg
Tanque de combustível 45 litros
Porta-malas 600 litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |