Depois da Coreia do Sul, que prendeu um dos executivos da Volkswagen no país devido ao escândalo envolvendo a fraude de veículos em testes de emissões, agora é a vez do FBI fechar o cerco contra a montadora nos EUA.

Oliver Schmidt, responsável pela área de compliance da empresa nos EUA entre 2014 e março de 2015 foi preso no último sábado pelo FBI, segundo reportou o New York Times. Segundo um documento da corte norte-americana que está cuidando do caso, Schmidt foi informado sobre a “existência, propósito e características” do dispositivo que fraudava resultados de emissões nos veículos e não revelou o fato para os órgãos competentes do país. 

Com isso, o executivo da Volkswagen será acusado por fraude e conspiração. Schmidt foi preso enquanto estava de férias na Flórida e tentava retornar para a Alemanha. Ao que tudo indica Schmidt foi desligado da Volkswagen, porém a própria companhia não declara qual é o status do alemão com o grupo atualmente.

A situação começa a se agravar para a Volkswagen, que inclusive recomendou a seus principais executivos a não saírem da Alemanha, uma vez que a investigação federal americana chega cada vez mais perto da cúpula da empresa. De acordo com a constituição alemã, os cidadãos não podem ser extraditados para outros países exceto as nações da União Europeia. 

Segundo os agentes norte-americanos, Schmidt e outros funcionários da Volkswagen fizeram uma apresentação para executivos da empresa em julho de 2015, onde davam detalhes sobre o software que alterava o comportamento dos carros quando eram submetidos a testes de emissões.

De acordo com as investigações do FBI, “na apresentação os funcionários asseguraram aos diretores que os órgãos de regulação dos EUA não estavam cientes do dispositivo e, ao invés de alertar as autoridades, os diretores optaram por continuar equipando os carros com o sistema”.

Aproveitando a presença no Salão de Detroit, o chefe da marca Volkswagen, Herbert Diess, foi questionado sobre o caso pelo Automotive News. O executivo apenas se limitou a dizer que “aceita que as investigações continuem e esperamos que nós alcancemos um ponto, em breve, onde poderemos deixar tudo isso para trás”.

Quando o escândalo do diesel veio à tona, em setembro de 2015, a Volkswagen culpou logo de cara um grupo de engenheiros atuando de forma isolada e sem o conhecimento do corpo diretivo da empresa. Contudo, ao longo das investigações os agentes do FBI encontraram e-mails que deixaram claro o envolvimento de responsáveis pela área de motores da Volkswagen nos EUA, o que culminou na prisão de Schmidt.

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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