O ano de 2016 foi um pesadelo para a Ford. A montadora americana fazia parte do quase impenetrável grupo das quatro marcas mais vendidas no Brasil há décadas mas uma conjunção de fatores fez com que ela não só perdesse o 4º lugar no ranking como caísse para a 6ª posição.

As fabricantes responsáveis por isso foram as asiáticas Hyundai e Toyota. A situação parecia incontornável, porém, em outubro, a Ford conseguiu reagir e reassumir a 4ª posição.

O grande motivo para essa virada foi o Ka. Modelo mais vendido da marca, o hatch compacto já acumula uma alta de 27% nas vendas este ano – em outubro foi o vice-líder, à frente do HB20.

Mas não foi apenas ele que contribuiu para que a Ford voltasse a crescer mais que a média do mercado, de 9,6% nos primeiros dez meses de 2017. O sedã Ka+, o Fiesta e o renovado EcoSport também fizeram sua parte enquanto o Focus hatch e o Fiesta Sedan (que deixou de ser importado por algum tempo) experimentaram queda até aqui.

Com isso, a Ford acumula um crescimento de 14% até outubro, uma marca muito boa num ano em que o mercado tenta sair da crise. Mas ela contou com uma “ajuda” das rivais diretas.

Fábrica no limite

Se a Toyota havia terminado 2016 poucos carros à frente da Ford a Hyundai deu um banho na marca dos EUA. Foram quase 20 mil veículos vendidos a mais, uma sólida conquista da 4ª colocação. Mas o que parecia muita coisa no ano passado (o pior resultado em muito tempo) em 2017 foi pouco.

A Hyundai cresce apenas 2% este ano, limitada que está pela capacidade da fábrica de Piracicaba. A marca sul-coreana acabou optando por uma “troca” de prioridades: de olho há tempos no mercado de SUVs compactos, ela acabou lançando finalmente o Creta, modelo que encontrou boa aceitação no mercado (mais de 32 mil unidades até outubro).

O problema é que o Creta roubou espaço na linha de montagem de outros modelos nacionais. O HB20, seu carro mais vendido e, como dito, rival do Ka, experimenta uma queda de 9% nas vendas, mas é o sedã HB20S o mais prejudicado com esse remanejamento: 30% a menos emplacamentos até o momento, uma redução absoluta nas vendas de 11 mil veículos.

A coligada CAOA também colabora para a queda nas vendas. O velho Tucson sumiu enquanto o New Tucson vende bem menos por custar bem mais. Até o ix35 não é mais o mesmo, acossado que está pelo Jeep Compass. Para fechar o desastre, o i30 saiu do mercado.

Certamente os executivos da Hyundai não estão desapontados afinal Creta e New Tucson têm margens de lucro maiores e compensam o fato de a marca ter seu crescimento interrompido por enquanto. Sorte, mas também mérito da Ford.

 
 
Hyundai HB20
 
Hyundai HB20 perdeu espaço para o Creta
Hyundai HB20
Ford Ka 2018
 
Ford Ka é o principal responsável pela recuperação da marca
Ford Ka 2018
Ford Ka 2018
 
Ford Ka 2018
Ford Ka 2018
Hyundai Creta 2018
 
Hyundai Creta ocupou espaço na fábrica de Piracicaba
Hyundai Creta 2018
 
 

 

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/