Saber quais serão os combustíveis do futuro ou qual será o conjunto mecânico ideal para os carros nos próximos anos é uma tarefa que exige muito mais do que uma bola de cristal. Várias estão confluindo no caminho da eletrificação, que mesmo assim ainda pode ser realizada de várias formas diferentes.

Talvez uma das mais interessantes diz respeito ao trabalho da Nissan envolvendo a Célula de Combustível de Óxido Sólido, ou SOFC na sigla em inglês. A grande sacada da fabricante japonesa é trabalhar é eliminar um dos grandes entraves para a difusão das células de combustível como um sistema viável para a propulsão dos automóveis nos próximos anos. A SOFC não depende de hidrogênio gasoso armazenado em um tanque para operar, operando a partir do etanol como o que já encontramos em praticamente todos os postos aqui no Brasil.

Esse é o ponto mais importante do projeto encabeçado pela Nissan, já que além do Brasil vários mercados europeus, asiáticos e os EUA oferecem aos motoristas opções de abastecimento com etanol. Dessa forma, não seria necessária a criação de uma rede paralela de abastecimento de hidrogênio para modelos que usam as células de combustível atuais, o que pouparia muitos recursos em termos de infra-estrutura sem falar na facilidade de implantação da nova tecnologia.

O protótipo e-Bio, baseado no Nissan e-NV200 que opera com motor elétrico, conta com um tanque para 30 litros de combustível, o que confere ao modelo uma autonomia que gira em torno de 600 km, um número muito bom e condizente com os padrões atuais.

A vantagem da SOFC é que ela pode operar com etanol puro ou com água misturada ao etanol, o que colabora para a segurança no manuseio do combustível. Explicando de uma forma simples, o etanol armazenado no tanque de combustível do veículo passa por um reformador, que libera uma molécula de gás hidrogênio (H2). Em seguida ele é direcionado para a SOFC. A célula de combustível recebe oxigênio extraído do ar e realiza uma reação química que tem como resultado eletricidade e apenas vapor de água. A energia elétrica resultante segue para baterias que alimentam o motor elétrico do carro.

Protótipo no Brasil

Para dar um gostinho da tecnologia aos brasileiros, a Nissan trouxe o protótipo da e-Bio com célula de combustível SOFC ao país para realizar alguns testes e para apresentar mais detalhes sobre a tecnologia por aqui. Vale destacar que, por utilizar etanol, o modelo não tem a emissão de nenhum poluente e, segundo a Nissan, o custo de manutenção de um veículo equipado com SOFC é baixo.

Segundo a Nissan, “o primeiro período de testes de abastecimento e utilização no dia a dia foi realizado nos últimos meses pela equipe de pesquisa e desenvolvimento da Nissan do Brasil e demonstrou que a tecnologia de adapta perfeitamente ao uso cotidiano e ao combustível brasileiro, ainda mais pelo fato de o país ter infraestrutura já existente para abastecimento com etanol em todo o seu território”.

Por tudo isso, a Nissan não esconde que tem intenções de um dia comercializar no no Brasil algum modelo movido com eletricidade gerada pela SOFC, algo que poderá ocorrer por volta de 2020 no país. Iniciativas como o novo regime automotivo brasileiro, o Rota 2030, deverão dar ânimo para a decisão da montadora japonesa, uma vez que nova política, em vigor a partir de 2018, deverá trazer como uma de suas premissas o maior incentivo para tecnologias de propulsão “verdes” no Brasil. 

 
 
Nissan e-Bio, protótipo movido a célula de combustível que opera com etanol
 
Nissan e-Bio, protótipo movido a célula de combustível que opera com etanol
Nissan e-Bio, protótipo movido a célula de combustível que opera com etanol
O Nissan e-Bio equipado com a SOFC está em testes no Brasil
 
O Nissan e-Bio equipado com a SOFC está em testes no Brasil
O Nissan e-Bio equipado com a SOFC está em testes no Brasil
 
 
César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo | http://www.jcceditorial.com.br/